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Calendário Vesperata 2010
| MARÇO |
27 |
| ABRIL |
17 / 24 |
| MAIO |
22 / 29 |
| JUNHO |
12 / 26 |
| JULHO |
03 |
| AGOSTO |
07 / 28 |
| SETEMBRO |
04 / 25 |
| OUTUBRO |
16 / 23 |
Em caso de Chuva, o evento será cancelado.
O surgimento da Vesperata de Diamantina remete ao final do século XIX, quando os maestros da Policia Militar que sucederam João Batista de Macedo - o maestro Piruruca, na condução da Banda da Policia Militar, mantiveram a tradição idealizada por ele, de durante as retretas dividir a Banda em grupos e destacar os solistas nas sacadas.
O Major Capelão Walter de Almeida da Policia Militar relatou sobre retretas e a divisão dos músicos nas sacadas para praticar a provocação musical. A Casa Paroquial, situada na Rua Direita nº 50, abrigou solistas em suas sacadas (principio do século XX), quando a fantasia La Mezza Notte ( A Meia Noite ou O Anjo da Meia Noite) era executado na atual Praça Joubert Guerra e os solistas eram disponibilizados nas sacadas dos sobrados daquela localidade. Nesta época, o Monsenhor Walter era vigário da Paróquia e morava exatamente naquele sobrado. Testemunha de todos esses detalhes, o Monsenhor Walter revelou o repertório que além dos dobrados, peças eruditas como: Quarteto Damásio, Mercado Persa, Marcha Militar, El Poeta y el Aldeano, La Traviatta, El Barbero de Sevilha e Canción Del Torero, tinha como final da apresentação O Anjo da Meia Noite.
A musica La Mezza Notte (A Meia Noite) tem sua autoria atribuída ao maestro O. Carline, executado pelo maestro Piruruca como "Meia Noite". A influência exercida pelo contigente de regentes italianos que se estabeleceram em Minas Gerais, cuja supremacia acarretou alterações nas transcrições efetuadas pelos copistas, poderia ter ocasionado a variação do nome, "Meia Noite", para o idioma italiano, e daí não tendo ao certo as razões, o evento passou a ser denominado "O Anjo da Meia Noite".
Entre as inúmeras observações que o Monsenhor Walter Almeida ofereceu à Comissão por Diamantina Patrimônio Cultural da Humanidade, em 1997, destacaram-se aquelas relativas às reuniões musicais no seio das famílias diamantinenses, originadas na tradição inglesa de se tomar chá aos finais da tarde. Reuniões que se estendiam até à noite e que o Monsenhor Walter afirmava que eram "tardes vesperais". Utilizava o termo no sentido de espetáculo e de concerto. O modelo dos desafios e de retretas nas sacadas, instituído pelo maestro Piruruca em conjunto com a música La Mezza Notte e os costumes das tardes vesperais, formam as origens da Vesperata, que é praticada atualmente na Rua da Quitanda, pela Banda de Musica do 3º Batalhão de Policia Militar e a Banda Mirim Prefeito Antônio de Carvalho Cruz, com as pessoas assentadas em mesas colocadas sobre as calçadas. As duas Bandas são regidas por um maestro ao centro da rua e entremeio às pessoas.
Fonte: La Mezza Notte - O lugar social do musico diamantinense e as origens da Vesperata - Editora: Maria Fumaça, 2003 - Antonio Carlos Fernandes e Wander Conceição. |